Arnaldo Branco do Projeto Morro da Neurose

“Tenho tantas ideias que às vezes acho que minha gaveta vai explodir

 

arnaldo branco

 

Rio de Janeiro/RJ

Categoria: Ficção

Projeto: Morro na Neurose

Comédia | Falso Documentário

Falso documentário humorístico sobre o crime organizado no Rio de Janeiro.

 

Arnaldo iniciou sua carreira e se consolidou como quadrinista – “a única forma de desenvolver tramas com orçamento zero”, segundo ele. Foi convidado para ser roteirista da TV Globo, onde trabalhou nos programas Casseta & Planeta e Domingão do Faustão. Ele também escreveu e dirigiu a série Overdose, da MTV, entre muitos outros projetos paralelos, a maioria em fase de produção.

O roteirista é tão fissurado em séries que pausa as cenas e cronometra os diálogos para estudar. Ele afirma também que tem tantas ideias para projetos que às vezes acha que a “gaveta vai explodir”. A ideia premiada pelo concurso, “Morro da Neurose”, surgiu quando ele leu artigos sobre a saturação do público com “filmes de favela”, que viraram uma espécie de subgênero dos filmes de ação no Brasil.

“Me pareceu uma boa hora para sugerir uma paródia desse tipo de história. Lembrei de documentários sérios sobre o assunto e achei que seria interessante desenvolver essa trama em capítulos e em forma de falso documentário.”

NETLABTV- Como surgiu seu interesse pela área de roteiro?

Arnaldo Branco: Desde sempre. Sempre gostei de cinema e TV e sempre quis trabalhar em qualquer meio onde pudesse criar histórias. Comecei fazendo quadrinhos porque era a única forma de desenvolver tramas com orçamento zero.

NETLABTV- Conte sobre sua experiência em audiovisual.

Arnaldo Branco: Fiz algum nome como quadrinista e passei para a etapa seguinte, tentar emplacar projetos nessa área. Ganhei alguns editais e um convite para trabalhar como roteirista na TV Globo – sem deixar de inscrever projetos pessoais em concursos. Cheguei a dirigir um deles, a série Overdose, para a MTV.

NETLABTV- Qual é sua formação (formal e/ou informal) como roteirista?

Arnaldo Branco: Li tudo que me indicaram e fiz cursos como os do Robert McKee e Jorge Furtado – além de masterclasses com roteiristas como Alan Kingsberg e Marta Kauffman. E sempre fui meio doente assistindo filmes e séries. Fico voltando cenas, cronometrando diálogo, caso sério.

NETLABTV - Para você qual a importância de desenvolvimento de séries no Brasil?

Arnaldo Branco: Enorme. Durante muito tempo tivemos pouco acesso a outros tipos de dramaturgia que não a novela diária e a minissérie, tirando algumas raras adaptações de outros formatos estrangeiros. Lembrar que até meados dos anos 1990 só tínhamos alguns canais de TV aberta com núcleos criativos desenvolvendo ficção. Estamos no começo da história.

NETLABTV- Na sua opinião, quais são os desafios de criar conteúdo para o mercado de TV?

Arnaldo Branco: Conciliar o interesse do público com um trabalho que fuja das fórmulas consagradas – nada contra elas, mas quanto mais maneiras diferentes de se escrever para TV, mais trilhas abertas para explorar as novas necessidades de uma plateia cada vez mais diversificada.

NETLABTV - Quais são as maiores dificuldades que o profissional do setor audiovisual encontra hoje no mercado televisivo?

Arnaldo Branco: Espaço para mostrar seus projetos, poder de barganha, interação com profissionais de outros setores da produção.

NETLABTV - Que oportunidades você espera que o Concurso NETLABTV traga para sua carreira?

Arnaldo Branco: Aprender mais sobre o ofício e mostrar meu potencial – tenho tantas ideias para projetos que às vezes acho que minha gaveta vai explodir.

NETLABTV- O que te motivou a inscrever seu projeto no Concurso NETLABTV?

Arnaldo Branco: A possibilidade de ser avaliado por profissionais competentes e descobrir se outros viam nele o mesmo potencial que eu – além do sonho de um dia ouvir o som da claquete no primeiro dia de filmagem da série.

NETLABTV- Por que ficção?

Arnaldo Branco: Por gostar de inventar um universo e manipular os personagens – um pouco por vaidade autoral, confesso, mas também porque o desafio parece maior.

NETLABTV- Como surgiu o tema da sua série? 

Arnaldo Branco: Li alguns artigos falando sobre a saturação de parte do público com “filmes de favela”, que viraram uma espécie de subgênero dos filmes de ação no Brasil. Me pareceu uma boa hora para sugerir uma paródia desse tipo de história. Lembrei de documentários sérios sobre o assunto, como “Notícias de Uma Guerra Particular”, e achei que seria interessante desenvolver essa trama em capítulos e em forma de falso documentário. 

NETLABTV - Fale um pouco sobre sua série e o público potencial.

Arnaldo Branco: “Morro da Neurose” é um falso documentário sobre o líder do tráfico de uma comunidade fictícia do Rio de Janeiro e pretende atrair todos que gostam de comédia – especialmente as que tratam de temas muito sérios com leveza – e o enorme público familiarizado com filmes e séries que abordam o universo das comunidades carentes e seus problemas.

NETLABTV- Qual importância de participar do Laboratório e consultoria?

Arnaldo Branco: Imensa. É preciso sempre trocar experiências para aprimorar ideias e é preciso entender todas as pontas da produção de uma atração televisiva.