Henrique Melhado Barbosa do Projeto Velhos Lobos

Terceira idade é rock’n’roll

 

henrique

 

São Paulo /SP

Categoria: Comédia | Drama

Projeto: Velhos Lobos

“Velhos Lobos” é a história de quatro setentões que, cansados da aposentadoria, decidem retomar o The Wolves, banda de rock dos anos 60, após a morte de seu antigo baterista.

 

 

O paulistano Henrique Barbosa é formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), em Roteiro Cinematográfico pela Anhembi Morumbi e pós-graduando em Roteiro para Cinema e TV na FAAP.

 

Sua ideia para a série “Velhos Lobos” surgiu da vontade de trabalhar com dois temas a princípio excludentes: terceira idade e rock.  Ele sempre gostou de filmes como “Escola do Rock”, “Ainda Muito Loucos” e “Quase Famosos”, mas sentiu que essa temática ainda era pouco trabalhada no Brasil. Paralelamente, Barbosa notou que o tema da terceira idade também começou a ser mais explorado no cinema e achou que estava na hora de unir, com bom humor: artrite, Viagra e Rock’n’Roll.
NETLABTV – Como surgiu seu interesse pela área de roteiro?


Henrique Melhado Barbosa –
Eu sempre fui muito fã de cinema e, durante a adolescência, até aventei a possibilidade de cursar cinema na faculdade. Também lia bastante quadrinhos e literatura em geral. No vestibular, no entanto, acabei optando por jornalismo. Lembro que fiz um curta na faculdade e me envolvi na adaptação de uma HQ para as telonas. Em 2005, fiz um intercâmbio em Portugal e gravei outro curta, além de escrever e dirigir uma pequena peça para uma das matérias da universidade. Até que, em 2008, resolvi cursar Cinema. Foi nessa época que comecei a estudar roteiro mais a fundo e a escrever, já que antes eu só pensava em ser diretor, como quase todo estudante de cinema.

 

No ano seguinte, consegui um estágio na Moonshot Pictures como pesquisador e roteirista assistente da série “9mm: São Paulo”. Afinal, pesquisa era a área mais próxima da ficção para um jornalista. Fazia de tudo por lá e aprendi bastante trabalhando diretamente com os roteiristas do seriado. Aí fiz dois cursos de narrativa bem no período em que os seriados americanos explodiram. Tomei gosto. Era um campo aberto e decidi explorá-lo.

NETLABTV –  Conte sobre sua experiência em audiovisual.

Henrique Melhado Barbosa – Depois da Moonshot, consegui uma vaga de roteirista na equipe do seriado “Julie & Os Fantasmas” e escrevi um longa-metragem com o roteirista Newton Cannito, que era um dos criadores do “9mm: São Paulo”. Depois fiquei um ano desempregado e voltei ao jornalismo. Hoje sou roteirista de uma escola de cinema em São Bernardo do Campo.

NETLABTV – Qual é sua formação (formal e/ou informal) como roteirista?

Henrique Melhado Barbosa – Cursei dois anos de faculdade de cinema. Depois fiz dois cursos livres de narrativa e agora estou finalizando uma pós-graduação em roteiro. Mas fora cursos formais, li muita coisa sobre roteiro. Devo ter lido todos os manuais disponíveis no mercado, inclusive os editados apenas nos EUA. Acredito que ler muito HQs também me ajudou. Até porque escrever roteiros é escrever imagens. Mas a grande sacada é assistir a muitos filmes e séries de TV. Não é possível fugir disso. Um roteirista precisa ter referências e repertório. Até pra ter de onde “roubar” (risos).

NETLABTV – Para você qual a importância de desenvolvimento de séries no Brasil?

Henrique Melhado Barbosa – Acho que o Brasil precisa explorar mais outras formas narrativas audiovisuais que não o cinema e a novela. Há um campo imenso para isso e temos bons roteiristas, mas ainda não temos um grande mercado para séries. Isso está mudando com o investimento cada vez maior dos canais da TV paga e com a Lei 12.485/2011. Uma série de TV é a possibilidade de trabalhar certos temas de forma mais abrangente, de contar uma história mais longa e elaborada, com mais nuances. E para isso precisamos não só de bons roteiristas, mas que eles tenham mais liberdade, assim como é na TV americana.

NETLABTV – Na sua opinião, quais são os desafios de criar conteúdo para o mercado de TV?

Henrique Melhado Barbosa – Escrever uma série, por si só, já é um desafio hercúleo. O roteirista precisa lidar com dezenas de tramas, personagens, arcos, episódios, casting, questões de produção. É um quebra-cabeça complexo e exige mais do que um bom roteirista. É preciso de toda uma equipe de escritores, consultores, pesquisadores. Nos EUA, por exemplo, dificilmente uma série tem menos do que 10 pessoas contribuindo no roteiro de um seriado. É um trabalho colaborativo.
NETLABTV – Quais são as maiores dificuldades que o profissional do setor audiovisual encontra hoje no mercado televisivo?

Henrique Melhado Barbosa – Conseguir um trabalho fixo e bem remunerado ainda é o principal desafio para um roteirista. Conheço muitos amigos que simplesmente desistiram porque não conseguem trabalho. O roteirista vive pulando de um trabalho para outro e as produtoras e canais de TV dificilmente têm um setor de desenvolvimento de dramaturgia. Então, o roteirista tem que se virar fazendo freelas, chamadas para a programação das TV, institucionais ou escrevendo de graça mais e mais projetos que dificilmente ganham o sinal verde para a produção.

NETLABTV – Que oportunidades você espera que o Concurso NETLABTV traga para sua carreira?

Henrique Melhado Barbosa – O NETLABTV em si já foi uma oportunidade maravilhosa. Para um roteirista iniciante como eu, ainda é muito difícil aparecer para o mercado ou até mesmo ser recebido pelas produtoras. O NETLABTV abriu muitas portas e espero continuar nesse caminho.

NETLABTV – O que te motivou a inscrever seu projeto no Concurso NETLABTV?

Henrique Melhado Barbosa – Ainda é muito difícil um roteirista iniciante conseguir se projetar. O “Velhos Lobos” mesmo foi recusado várias vezes. Mas eu sentia que tinha um projeto bom em mãos. E sempre tive amigos que me incentivaram. Quando fiquei sabendo do NETLABTV resolvi inscrever sem nem pensar. Era uma grande oportunidade de alguém ler e analisar o projeto. As chances são poucas, mas quando aparecem precisamos ir atrás.

NETLABTV – Por que ficção?

Henrique Melhado Barbosa – Eu sempre tive um pé em jornalismo e adoro documentários. Já escrevi projetos em não ficção também. Mas achei que era a hora de tentar ir para a ficção. Até porque gosto muito de séries e filmes. Além do que é muito mais fácil quando você tem o controle sobre os seus personagens.

NETLABTV – Como surgiu o tema da sua série?

Henrique Melhado Barbosa – O seriado é na verdade meu projeto de conclusão de curso na pós-graduação. O tema surgiu de conversas com outros colegas do curso e da minha vontade de trabalhar com dois temas aparentemente excludentes: terceira idade e rock. Mas hoje aí estão o Paul McCartney, Rolling Stones, The Who, Eric Clapton, todos setentões, tocando como se ainda fossem garotos. Sempre gostei de comédias e de filmes que envolvessem bandas como “Ainda Muito Loucos”, “Escola do Rock”, “Quase Famosos”, “The Wonders”, “Os Irmãos Cara-de-Pau”, e nunca vi essa temática ser muito trabalhada aqui. Ao mesmo tempo, o tema da terceira idade começou a ser explorado no cinema em filmes como “E se vivêssemos todos juntos?”, “O Exótico Hotel Marigold”, “O Quarteto”, “Amor”. Estava na hora de unir os dois.
NETLABTV – Fale um pouco sobre sua série e o público potencial.

Henrique Melhado Barbosa – A série foi pensada para atrair adolescentes e jovens adultos de 15 a 35 anos e adultos de 55 para frente. A história tem muita comédia e momentos farsescos, o que agrada à camada mais jovem. O fato de ser sobre rock também atrai uma audiência nessa faixa. Quem viveu o auge do rock no Brasil nos anos 80 vai se identificar. A própria personagem da Júlia, neta de um dos velhos e que tem uma banda de garotos, foi pensada para atrair essa faixa. Haverá certa rivalidade entre a banda de velhos e o grupo de jovens e vamos tirar humor dessas diferenças. Mas é claro que os maiores de 55 anos também vão se identificar com os temas que abordamos, sobretudo as dificuldades e questões da velhice. E como o The Wolves é do tempo da Jovem Guarda, os idosos que assistirem ao seriado também lembrarão com nostalgia desse período.
NETLABTV – Qual importância de participar do Laboratório e consultoria?

 

Henrique Melhado Barbosa – Acho que quando estamos escrevendo sozinhos, por mais que tenhamos algum amigo lendo o nosso trabalho, perdemos um pouco a noção de perspectiva. E muita vezes falta a opinião de quem realmente entende do assunto. Então, as consultorias e o laboratório virão em boa hora. É sempre importante ouvir conselhos de pessoas do mercado, que têm uma visão macro do negócio da televisão. E as consultorias sobre os roteiros são muito importantes para melhorar o projeto.