Marina Morais – vencedora pelo voto popular com a série “cururu”

“A audiência brasileira já é consumidora ativa de séries internacionais. Produzir conteúdo nacional e trazer essa audiência para os produtos que o próprio país produz são importantíssimos para valorizar a cultura brasileira e o profissional da área, além de naturalmente gerar um lucro para a indústria nacional que servirá de fomento para novas produções.”

Vencedora do NETLABTV 2014 pelo voto popular na categoria ficção.

Vencedora do NETLABTV 2014 pelo voto popular na categoria ficção.

Projeto: CURURU | Fortaleza – CE | Gênero: Comédia
Série de comédia filmada como falso documentário, traz o dia-a-dia de uma Promotoria de Justiça do interior do Ceará, cuja promotora é uma nativa que passou 15 anos afastada e acaba de voltar.

Estudante de Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará. Durante o ano de 2013, participou do programa Ciência sem Fronteiras e se juntou à turma de Graduação em Produção para Filme e Televisão na Cambridge School of Art da Anglia Ruskin University, no Reino Unido.

NETLABTV - Como surgiu seu interesse pela área de roteiro?

A escrita sempre foi uma paixão. Logo que o interesse por cinema virou uma escolha de graduação, o roteiro parecia a carreira perfeita, e assim tem sido há cinco anos.

NETLABTV - Qual sua formação (formal e/ou informal) como roteirista?

Marina Morais – Estou cursando o último semestre da minha graduação em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará. Na universidade, pude me envolver com tudo o que aparecia com relação a roteiro e narrativa, entre bolsas, disciplinas e grupos de estudo.

NETLABTV - Nos conte um pouco sobre sua experiência na área.

Marina Morais – Além dos estudos teóricos, escrevi alguns curtas-metragens para disciplinas da faculdade ao longo dos anos. Por fora, desenvolvi outros três roteiros originais de curtas-metragens em português e dois adaptados em inglês durante um intercâmbio acadêmico na Inglaterra. Também cheguei a ministrar workshops de roteiro algumas vezes.

NETLABTV - Para você qual a importância de investir no desenvolvimento de séries no Brasil?

Marina Morais – As séries de televisão têm dominado o mercado audiovisual mundial, isso é inegável. A audiência brasileira já é consumidora ativa de séries internacionais. Produzir conteúdo nacional e trazer essa audiência para os produtos que o próprio país produz são importantíssimos para valorizar a cultura brasileira e o profissional da área, além de naturalmente gerar um lucro para a indústria nacional que servirá de fomento para novas produções.

NETLABTV - Na sua opinião, quais são os desafios de criar conteúdo para o mercado de TV?

Marina Morais – Diferente de um filme, a série precisa de audiência constante, a cada episódio, o que demanda um investimento maior na qualidade da narrativa e um estudo metódico desse processo.

NETLABTV - Quais são as maiores dificuldades que o profissional de roteiro encontra hoje no mercado televisivo?

Marina Morais – O formato do conteúdo televisivo ainda é muito engessado, com pouca abertura para novidades estilísticas. Isso tem mudado devagar, porém, desde o estabelecimento da Lei da TV Paga. Parece estar havendo uma gradual abertura dos canais para formatos e temáticas mais diferentes, além de novos profissionais.

NETLABTV - Que oportunidades você espera que o Concurso NETLABTV traga para sua carreira?

Marina Morais – Além de servir como reconhecimento e divulgação do meu trabalho, espero conseguir agregar bastante conhecimento acerca do mercado televisivo, já que ainda sou estreante no meio e o concurso conta com profissionais incríveis que lidam com televisão há algum tempo.

NETLABTV - O que te motivou a inscrever seu projeto no Concurso NETLABTV?

Marina Morais – Já contava com o esboço de um projeto e a oportunidade era única. Também fiquei muito animada ao ver que haveria o contato com canais de televisão e produtoras independentes para apresentação das ideias, que é um diferencial do concurso.

NETLABTV - Por que ficção?

Marina Morais – “Cururu” é uma ficção banhada de referências de não-ficção. Sempre trabalhei com ficção, sendo o gênero que mais me atrai, mas a própria divisão de gêneros nunca me pareceu totalmente justa. Já havia estudado documentários que se utilizam de ficção, como os de Eduardo Coutinho, e, quando comecei a estudar a fundo o mockumentary, encontrei o perfeito balanço entre ficção e não-ficção para o que eu procurava fazer.

NETLABTV - Como surgiu o tema da sua série?

Marina Morais – O projeto foi concebido como Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade. Primeiro decidi que ia escrever um roteiro como projeto de graduação, depois resolvi que ia ser uma série e, logo em seguida, optei pelo mockumentary. Depois de vários e-mails e reuniões de orientação, fui, aos poucos, montando o universo de “Cururu”, baseando-me, principalmente, em duas cidades do interior do Ceará e pegando de referência séries como “The Office” e “Parks and Recreation”.

NETLABTV - E como foi o desenvolvimento do roteiro até aqui?

Marina Morais – Antes de me inscrever no concurso, fui seguindo etapa por etapa, elaborando primeiro o argumento, depois os personagens, depois o resumo dos episódios, depois o primeiro tratamento do episódio-piloto. De julho até aqui, o projeto pôde evoluir bem com algumas modificações pontuais, partindo de estudos teóricos, leituras coletivas e orientações.

NETLABTV - Quais suas expectativas em relação ao laboratório e consultoria diante dos desafios da sua série?

Marina Morais – Tenho estudado bastante o estilo específico de comédia que “Cururu” segue, o mockumentary (falso documentário). Espero que o laboratório e a consultoria me ajudem a agregar esse conhecimento estilístico às orientações práticas de pré-produção, produção e exibição da série no mercado televisivo brasileiro.