Conheça um pouco mais sobre cada um dos projetos e autores vencedores da categoria Ficção do NETLABTV 2018.

Uma policial que joga com a morte. Um casal que roteiriza a própria vida. Um call center mais que caótico e engraçado. Um jovem advogado disposto a trabalhar pela justiça. As séries vendedoras do NETLABTV 2018 na categoria Ficção trazem histórias inspiradoras e diversas, prova de que a criação no Brasil evolui cada vez mais. Confira mais sobra cada uma e seus criadores:

IMPULSO

Sinopse: Vivian Blumen é uma policial militar de 34 anos, moradora da cidade de São Paulo e especialista em gerenciamento de crises e negociação em casos envolvendo suicidas e reféns. Ela retorna ao trabalho após 6 meses de licença ocasionada pela morte de sua filha. Nesse período, ela desenvolveu depressão e tentou se matar cortando os pulsos. Vivian não vê o retorno às atividades de policial como um recomeço, mas como uma chance de recuperar seu porte de arma e colocar fim à própria vida. No entanto, Vivian desenvolve a crença que a morte passou a se comunicar com ela, desafiando-a para um jogo, no qual ela deve impedir que outras pessoas morram. Esse desafio desperta em Vivian um novo sentido para continuar vivendo, ainda que seus traumas continuem bem latentes.

Autora: Marcela Macedo

Formada em Cinema, com especialização em Roteiro para Cinema e TV, Marcela Macedo atua como roteirista profissional desde 2005. A série “Impulso” já possui um episódio piloto que foi vencedor do concurso de roteiros do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre – FRAPA 2017.

Pensar o roteiro do drama e desenvolver a densa personagem de Vivian foram tarefas trabalhosas. Houve uma profunda pesquisa, principalmente no universo policial, com o qual a roteirista Marcela não era familiarizada. Para isso, contou com a ajuda de um major da Polícia Militar, especializado em gerenciamento de crises no Brasil, além de médicos, enfermeiros e psicólogos. “Acho que o “Impulso” pode amadurecer ainda mais. Agora que está exposto a muitos olhares, é possível que alguém enxergue alguns aspectos que podem ser aprimorados e isso faça toda a diferença para ele se enquadrar no perfil de mais canais ou serviços de streaming, por exemplo”, declara a criadora.

A personagem principal da série sofre de depressão, mas Marcela fez questão de criar uma mulher forte e que representasse uma verdadeira heroína moderna. “Eu me inspirei bastante na personagem Sarah Linden (de The Killing). Ela também é uma policial altamente sensível que coloca sua vida pessoal em segundo plano em função do trabalho; é naturalmente a melhor em sua função e desapegada com a aparência. Em momentos de maior desequilíbrio emocional e determinação da Vivian, logo vem a referência da Carrie Mathison (Homeland)”, explica.

Outra curiosidade do roteiro é o nome da personagem, que durante toda a narrativa dialoga com a possibilidade da morte. “O nome não foi escolhido por acaso. Originário do latim Vivianus, Vivian significa justamente ‘vida’”, revela Marcela.

 BRYAN & NAT 1/3

Sinopse: Série de dez episódios sobre o jovem casal de roteiristas, Bryan e Nat, que em dez anos de relacionamento veem tudo o que planejaram para o futuro não acontecer e descobrem que é impossível roteirizar a vida. Inspirada na história real dos criadores, a série mostra o amadurecimento do casal, abordando temas como carreira, casamento, sexo, filhos, religião e a busca pelo sucesso e felicidade. Cada episódio se passa em um ano do relacionamento – indo dos vinte aos trinta anos de idade dos protagonistas, que completam ⅓ de suas vidas juntos. Quando se conheceram, Bryan e Nat eram jovens e ingênuos estudantes, com grandes sonhos e pouca bagagem. Com o passar dos anos, a ideia que lhes foi passada pelos pais de que podiam ser tudo o que quisessem já não era verdade, pois a vida adulta rapidamente trouxe um choque de realidade. Tudo que já era para ter acontecido, não aconteceu. Por fim, Bryan e Nat percebem que fama e dinheiro não são sinônimos de felicidade e que, muitas vezes, ficamos tão fixados em nossos sonhos, exatamente como achamos que deveriam acontecer, que deixamos de perceber todos os momentos em que o sonho já está acontecendo.

Autores: Natalia Milano e Bryan Ruffo

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Os personagens desta série que mistura drama e comédia têm o mesmo nome que os roteiristas justamente porque são inspirados em seus criadores. Como eles mesmos definem, “Bryan&Nat 1/3” é uma “ficção da vida real”. Natalia Milano e Bryan Ruffo são um casal de atores, roteiristas e criadores de conteúdo, que há três anos vêm produzindo conteúdo para a internet através do canal Bryan & Nat. São roteiristas da websérie “Longe do Reino”, apoiada pela Rio Filmes, e já atuaram e diversos projetos de cinema e publicidade.

A semente do roteiro existe deste 2013, quando começaram a escrever o roteiro inspirado na relação dos dois. No início, o projeto tinha mais características de uma típica sitcom. “A gente sempre assistiu muitas séries juntos e percebíamos que existiam poucos casais jovens com relações duradouras. Mas na vida real conhecemos vários casais que estão juntos há muitos anos, comentam.

Desde então, seguiram, e seguem, anotando ideias a partir de situações que vão vivendo até o momento em que dramatizaram e construíram os arcos dos personagens e da história. “Os personagens e o contexto são reais, mas as situações dos episódios são ficcionais, como nas séries “Broad City”, “Maron” e “Curb Your Enthusiasm”, por exemplo. As ideias surgiram a partir das nossas vivências nesses dez anos de relacionamento e escrevemos sobre temas que foram importantes para a gente, como a decisão de ter ou não ter filhos. Mais do que autobiográfica, a série é autoral, a nossa experiência e perspectiva estão representadas nela”, definem.

A série, que inicialmente seria produzida de forma independente, gravada no apartamento do casal e postada no YouTube, agora é um dos projetos vencedores do NETLABTV 2017. “Além do aprimoramento do conteúdo, temos a oportunidade de fazer um pitch para produtoras e canais, o que nos dá uma chance concreta da nossa série ser produzida numa escala maior e ser exibida em um canal de TV ou plataforma on demand”, comentam.

CALL CENTER

Sinopse: Dizem que alegria de pobre dura pouco e Rosângela é a prova viva disso. No mesmo dia em que ela consegue uma tão sonhada promoção, de operadora de telefonia para gerente do (medonho) Departamento de Reclamações de uma empresa de comunicações, ela descobre que está com dengue. Na volta ao trabalho, para enfim assumir a função, ela é abandonada por todos os seus subordinados, que ganharam em um bolão da Mega-Sena do qual ela não participou por estar afastada. Mais do que nunca, ela precisa segurar esse emprego a qualquer custo, mostrar que é competente (ela não é) e arranjar novos operadores para trabalhar e cumprir a missão que seu novo chefe lhe passou: alçar o Departamento de pior colocado para o primeiro na lista de “atendimento ao cliente” do mercado.
Mas o universo está contra ela. Ao longo de sua jornada, ela vai precisar lutar contra a tramoia de Cristiano, um dos vice-presidentes da empresa, que finge que a apoia, mas a usa como laranja para seus esquemas de desvio de dinheiro; a inveja de Shirley, a gerente de RH, que faz de tudo para vê-la fracassar; a ambição de Valdemar, o supervisor do departamento vizinho que quer destituí-la do cargo para acumular sua função e incorporar seu salário; a pressão do Dr. Coutinho, presidente da empresa, por resultados inatingíveis; a incompetência da sua própria equipe de operadores de telefonia, que não conseguem trabalhar direito e a impedem de ser bem-sucedida no seu novo cargo; e o seu próprio despreparo para assumir uma função que exigiria alguém bem mais qualificado.
Nesta sitcom, as histórias vão ser centradas no DR – Departamento de Reclamações – tendo como personagens principais a nova equipe formada por amigos e conhecidos da nova gerente, que estão na pindaíba precisando de um emprego: a cabeleireira Amora, o vendedor de pamonhas Devanildo, o camelô Kleverson, a fofoqueira Ketyllen (que estava afastada por estresse e também perdeu o bolão) e o “youtuber” Sandoval, ou San Jr., como ele faz questão de ser chamado.

Autor: Otávio Chamorro

Os melhores locais para se ouvir histórias engraçadas e de picuinhas entre os personagens são, em geral, ambientes de trabalho. Otavio Chamorro constatou isso aos poucos, depois de ver vídeos no Youtube com áudios vazados de bate-boca de atendentes de telemarketing com clientes e escutando conversas em uma lanchonete que frequentava. À medida que ouvia os casos nas mesas vizinhas, com atendentes de um call center vizinho, foi percebendo o potencial dos personagens. “Testemunhei diversas discussões e fofocas como ‘fulano roubou minha cadeira, pegou meu fone, está me devendo dois reais, comeu o meu almoço, me olha torto’. Comecei a ficar apaixonado pelas histórias das pessoas e por elas mesmas”, conta. “Transformei aquela lanchonete e os áudios da internet no meu laboratório para criar ‘Call Center’”, completa o criador.

Otávio é roteirista e diretor, e além de trabalhos para o cinema, com curtas e longas metragens, também se envolveu em trabalhos publicitários, filmes institucionais e séries de TV, como “Turma da Robótica”, do Canal Futura, cuja segunda temporada estreia em 2018.

O projeto “Call Center” venceu o pitching de desenvolvimento de séries na categoria comédia durante o Goiânia Mostra Curtas. A ideia de Otavio é desenvolver uma série que represente a classe média-baixa e jovem. “Minha proposta não é abraçar o estereótipo, mas debochar dele, criando comédia a partir de pesquisa profunda, sem preconceitos, mas também sem um olhar piedoso ou conivente, valorizando essa parcela da população”, explica. “O tema da série gira em torno justamente dessa ânsia da juventude, em especial a geração Y, em alcançar o sucesso e a felicidade. E a forma de retratar essa premissa é por meio das suas situações cotidianas no ambiente de trabalho”, acrescenta o roteirista.

Para isso, Otavio escolheu mostrar as dificuldades desses personagens para concluir, por exemplo, os estudos ou conseguir um emprego, falar do sufoco para pagar as contas e morar em uma metrópole, relacionamentos que dão errado, entre outras situações.

“Os objetivos dos personagens são um reflexo artístico do desejo de boa parte das pessoas que vão se identificar com a série: a vontade de subir na carreira, de realizar um sonho que se tem desde a infância, de encontrar o grande amor, de ser reconhecido pelas suas habilidades e de ter tempo para aproveitar a vida”, conclui.

HABEAS CORPUS

Sinopse: Móca Advogados Associados é um dos mais renomados escritórios de advocacia criminal da cidade. Seu fundador, Dr. Cícero Móca, é conhecido por ir até as últimas consequências para defender seus clientes – e cobrar muito caro por isso. Já seu único filho, Aquiles, acaba de se formar em Direito, mas possui uma visão de justiça bem diferente do pai. Sua revolta contra a situação política do País e desejo de combater a corrupção a qualquer preço irão provocar uma ruptura na família e Aquiles terá que começar sua carreira do zero, trilhando o caminho que acredita ser correto, mas que poderá lhe custar ainda mais caro do que os honorários que seu pai costuma cobrar. 
A série tem dois arcos principais na primeira temporada: o primeiro caso que Aquiles defende, envolvendo possíveis traficantes – e o mistério que fez com que ele mesmo fosse preso, seis meses depois de passar no exame da OAB. A trama envolverá a vida pessoal dos personagens, tanto de Aquiles e sua família quanto de seus clientes, mas o foco central continuará sendo a busca de Aquiles por justiça, para seus clientes, e para si mesmo.

Autora: Juliana Rosenthal

Nascida em uma família de advogados, Juliana Rosenthal cresceu em um ambiente em que o universo jurídico sempre esteve muito presente. Além disso, sua experiência é essencialmente em dramaturgia, pois é pós-graduada em Dramaturgia e Roteiro e mestre em Literatura. Tudo isso a inspirou e também foi muito importante na hora de desenvolver o roteiro. “Uma boa história tem que ser boa, independente do veículo a que se destina. E, cada vez mais, uma mesma obra é adaptada para os diferentes meios. A dramaturgia nasce no teatro; então todos os pilares da construção de personagens, narrativas etc são essenciais para a trama audiovisual”, defende.

Para criar os personagens e chegar na história que gostaria de contar, Juliana conversou com alguns criminalistas, que contaram casos variados e renderam bastante material para a criação. Uma das dificuldades para a elaboração do roteiro foi a preocupação com cenários, personagens e pensamentos que, segundo ela, contam com uma liberdade bem maior na literatura, mas que, quando se trata da linguagem do cinema e da TV precisam ser calculadas.

 

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