Conheça um pouco mais sobre cada um dos projetos e autores vencedores da categoria Social Video do NETLABTV 2018.

PRINCESA CARLOS

Sinopse: Princesa Carlos, uma fantoche publicamente desgraçada e recentemente desempregada, divide um apartamento com Rômulo, um universitário interiorano e ingênuo. Os pensamentos mais absurdos e estranhos que passam pela cabeça da personagem principal são expostos de forma cômica e ácida através dos diálogos entre os colegas de quarto.

Autores: Leonardo Raoni e Julia Fovitzky

Leonardo Raoni é jornalista e entusiasta do Youtube, já Julia Fovitzky é atriz e dramaturga, e tem especialização em roteiro. Esses são os autores e roteiristas de São Paulo, da série vencedora “Princesa Carlos”, na categoria Social Video.

A ideia surgiu de uma visita que Leonardo fez com a namorada a uma loja de brinquedos. A partir da situação, fantasiaram a ideia de que os fantoches pudessem ter pensamentos de toda natureza, inclusive os mais impróprios. Assim nascia a Princesa Carlos, antes de mesmo existir e ter um “corpo”. Quando Leonardo ganhou um fantoche de presente, com cabelos longos, coroa e bigode, foi inevitável não colocar a ideia em prática.

A intenção da dupla não era abordar questões de gênero, mas sim, segundo os criadores, utilizar a figura do fantoche, que é ideal porque não se trata de um corpo dentro de estereótipos e padrões. “Ao mesmo tempo que permite a caricatura também deixa claro que essa caricatura é proposital. Assim, a questão de gênero aparece mesmo que sutilmente”, explicam. Além disso, a personagem tem também um valor de dar voz a questões que muitas vezes são deixadas de lado. “A Princesa Carlos não é inspirada em ninguém, mas, ao mesmo tempo é inspirada em todos nós. Da forma como não damos voz às nossas questões internas, que podem ser consideradas chulas ou inapropriadas. A personagem dá voz ao que não podemos ou não queremos falar”, comentam. E nada melhor do que a internet para ajudar esse conteúdo a alcançar um público o mais diversificado possível.

“Acredito que o audiovisual não vai migrar, mas se expandir para as plataformas online. O que acontece hoje, ao meu ver, é uma ausência de conteúdo ficcional nessas plataformas, um terreno que ainda se pode explorar muito”, conta Leonardo. E Princesa Carlos veio para participar dessa mudança.

MINHA QUERIDA VAGINA

Sinopse: Primeiro ano de faculdade de Laura e Dani. Melhores amigas, estão sempre atrás de uma nova crush ou novo crush, mas Laura se sente muito frustrada por nunca ter tido um orgasmo durante uma transa. Ela parte em busca de aventuras sexuais, disposta a qualquer coisa para vivê-las. Festas, bares, ponto de ônibus… qualquer lugar é lugar. Nesse espírito de tudo ou nada, e ignorando os conselhos de Dani, Laura as leva até a sensitiva Anjângela, dona de uma poção orgástica. Laura a toma. Porém, contrariando as instruções da poção, Laura recebe um “presentinho”: sua vagina começa a falar! Sem papas na língua, ela conta tudo o que Laura tenta esconder, até os orgasmos fingidos. Situações constrangedoras, inusitadas e sempre muito engraçadas acontecerão por causa de Abigail, a vagina falante.

Autores: Fernando Esposito e Ana Julia Travia

A série “Minha Querida Vagina” não é a primeira parceria da dupla Fernando Esposito e Ana Julia Travia. Fernando foi produtor de finalização do curta-metragem documental “Outras” (2017), dirigido por Ana Julia, e também participou como produtor do projeto “Sample”, também roteirizado e dirigido por ela. Além disso, Ana Julia integrou a equipe de “Empoderadas”, canal criado pela cineasta Renata Martins, que entrevista mulheres negras de diversas áreas.

Ambos de Campinas, já tinham vontade de trabalhar na plataforma do Youtube. Fernando já havia passado por um canal de empreendedorismo na periferia, hoje consolidado como Favela Business, com mais de 190 mil inscritos. Para ele, falando sobre plataformas para o audiovisual, o que iria migrar de plataforma já migrou. “Acredito que plataformas online livres sejam agora a porta de entrada mais provável do meio audiovisual”, afirmou. Complementando este raciocínio, Ana Júlia acredita na coexistência de várias plataformas, todas com demandas de conteúdo de qualidade.

“Minha Querida Vagina” narra de forma bem humorada a história de duas mulheres que estão se tornando conscientes da própria sexualidade e tem como protagonista uma vagina. “O feminismo e o empoderamento aparecem porque é inevitável. Não é possível falar disso sem ser feminista e sem, em algum momento, empoderar essas duas mulheres”, declara Julia.

O processo de elaboração da série foi longo e contou com mais três amigas, que participaram da criação da escaleta e dos roteiros, sugeridos semana a semana. Muita gente pode estar se perguntando: “qual a contribuição do homem em um roteiro como esse?” “Ele colaborou no roteiro tornando o humor mais corporal e algumas vezes mais escrachado. Eu, por exemplo, gosto mais de fazer piada no diálogo”, responde Ana Júlia sobre a participação de Fernando Esposito.

DE MAGRRRLA

Sinopse: Sustentabilidade, mobilidade, cidades mais humanas, bem-estar e emancipação são algumas das promessas do ciclismo urbano. Ainda assim, no Brasil, usar a bicicleta como meio de transporte é um ato transgressor. Duplamente transgressor quando se é mulher: empoderamento, companheirismo, segurança, ocupação dos espaços públicos e feminismo. O que acontece quando mulheres pedalam? Inspirado no Manifesto Riot Grrrl, a websérie De Magrrrla parte da ideia de que mulheres “são forças revolucionárias que podem, e vão mudar o mundo”, buscando conhecer e entrelaçar as histórias das ciclistas urbanas em diferentes capitais pelo país. A curiosidade de descobrir como se locomover sobre duas rodas influencia o dia-a-dia, a relação com a cidade e a autonomia das mulheres é a corrente que movimenta os episódios.

Autora: Carolina Arruda

A série “De Magrrrla” começou como um curta-metragem sobre mulheres que pedalam, em Florianópolis. Ao perceber as inúmeras possibilidades de vivências dentro deste universo “mulher ciclista” – como o local em que se vive, a motivação para pedalar, a faixa etária, entre tantas outras –, Carolina Arruda decidiu transformar a ideia em um longa, com a intenção de percorrer outras cidades e estados, dando ainda mais espaço para a diversidade. Ainda inquieta e refletindo sobre o principal objetivo da obra, que era falar com essas mulheres, ela percebeu que seu público não estaria em salas de cinema ou festivais. E com ajuda de dois professores decidiu transformar a ideia em uma websérie.

“Penso que cada audiência conversa mais com uma plataforma. No meu caso, como ciclista, percebi que existe uma presença muito forte de grupos online e a necessidade de conteúdo sobre determinados tópicos. Então, acredito que o formato de websérie tem um potencial de alcance muito maior! É uma necessidade que vai tanto do público, quanto do projeto”, explica a criadora.

Carolina Arruda cursa cinema em Santa Catarina e atua como videomaker, diretora de fotografia e fotógrafa. Atualmente trabalha na produção de material audiovisual para o Portal Aberta, de ensino à distância, e é uma mulher ciclista. O contato com outras mulheres ciclistas e a presença em eventos, com muita conversa, e principalmente escuta, foi primordial na hora de pensar o roteiro.

ARTÍFICES DO SOM: SAMBA CARIOCA

Sinopse: A série “Artífices do Som: Samba carioca” é um espaço dedicado a entrevistas e registros audiovisuais de artesãos, luthiers e fabricantes de instrumentos musicais que estão presentes na cultura brasileira, mais especificamente no Samba Carioca. Apresentar a oficina, o cotidiano de trabalho e o artista que molda a matéria dando forma e dimensões ao que virá ser um veículo da sonoridade e da identidade musical brasileira. Artífice é um termo que significa trabalhador, operário, artesão que produz algum artefato ou que professa alguma das artes, mas também remete a um indivíduo que não consegue dissociar a mão e a cabeça, a técnica e a ciência, a arte e o artesanato. A vocação do artesão construtor de instrumentos musicais pode vir de diversas formas: herança familiar, ímpeto em tocar determinado instrumento musical, curiosidade, dentre outros motivos.  É visando apresentar o universo do patrimônio tangível e intangível da música que a série propõe uma visita aos ateliês de 5 (cinco) construtores de instrumentos musicais que fazem parte do Samba carioca, manifestação cultural centenária e patrimônio imaterial brasileiro. Entre cavacos, violões, pandeiros e outros instrumentos de percussão a série propõe um mergulho no universo sonoro brasileiro.

Autor: Bernardo Marques

A proposta de Bernardo Marques traz o samba carioca sob uma outra ótica: a dos artesãos que produzem os instrumentos usados para fazer o samba. Bernardo é músico e integra a equipe de pesquisadores do Núcleo de Cultura Popular na UERJ. Atualmente desenvolve pesquisas sobre a vida social e os percursos dos objetos, com investigação voltada aos saberes artesanais e a produção de instrumentos musicais populares brasileiros. Onde entra o audiovisual e a ideia da série: sua ferramenta de trabalho. Nos últimos dois anos trabalhou com a produção de filmes etnográficos que participaram de festivais de documentários.

Unindo o útil ao agradável, desenvolveu a ideia de uma websérie documental que pudesse mostrar esses processos. O fato de já conhecer os métodos de pesquisa de campo auxiliaram na construção do roteiro e no pensamento de como realizar o projeto: “Os projetos audiovisuais de social video tem uma modo de distribuição particular, uma linguagem característica e um tempo dinâmico de produção. Creio que o acompanhamento e a capacitação que o concurso NETLABTV proporcionará será muito importante para desenvolver o projeto com qualidade”, acredita.

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