Em toda lista sobre grandes obras que não podem faltar na biblioteca de quem quer contar histórias, certamente Story, de Robert Mckee, A Jornada do Escritor, de Christopher Vloger, além de O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell, vão estar entre os primeiros citados.

Pensando nos clássicos que auxiliam tanto roteiristas veteranos quanto quem está começando a se aventurar pela arte da narrativa, o Blog Inspire-se traz uma segunda lista de livros que são referência para não só se criar roteiros, mas para entender e aprender sobre as grandes histórias e mitos da humanidade. Afinal, como observou Campbell, a Jornada do Herói é também a jornada humana.

Além disso, o brasileiro Da Criação ao Roteiro, de Doc Comparato, e a grande e seminal entrevista que Bill Moyers realizou com Campbell e deu origem a O Poder do Mito também não podem faltar.

Story (Robert McKee)

“Sendo um escritor, você entende perfeitamente o que significa um bloqueio criativo: é aquele momento desagradável em que você não faz ideia do que escrever. A verdade inconveniente é que esse bloqueio geralmente aparece quando falta algum tipo de informação (ao invés de inspiração). Portanto, leia livros e faça sua própria pesquisa para usar essa informação junto com sua imaginação e experiência própria. Geralmente, a imaginação não é o suficiente para a criação de uma cena espetacular.”

Considerado por muitos a principal obra sobre roteiro publicada nos últimos 20 anos. Seu autor, Robert Mckee, é um dos gurus de Hollywood e o maior vencedor de Oscar da categoria de todos os tempos. Neste livro, você vai se deparar com explicações e ensinamentos diferentes do que em geral se encontram em livros sobre roteiros. É um livro sobre forma, não sobre fórmula. Empregando exemplos de mais de cem filmes, em 422 páginas, McKee disseca cenas e estruturas narrativas, mostrando o passo a passo para, então, revelar todo o funcionamento da obra abordada.

Não por acaso, Story é também chamado de ‘A Bíblia do Roteirista’ e fundamentou os princípios básicos da narrativa Hollywoodiana.

Da Criação ao Roteiro (Doc Comparato)

“O trabalho do roteirista não se baseia apenas no talento para escrever e criar, mas também na capacidade para colocar seu trabalho num caminho adequado de produção. É imprescindível refletir sobre o funcionamento da indústria audiovisual como arte e como ‘fábrica de sonhos’.”

Da Criação ao Roteiro é dividido em 15 capítulos e três anexos. É muito recomendado especialmente para estudantes de cinema e audiovisual. Como o próprio nome diz, aborda desde a ideia inicial do desenvolvimento do roteiro e os primeiros apontamentos, pensando, por exemplo, desde os personagens e a unidade dramática, até a etapa final do roteiro. É uma publicação muito completa para quem deseja, além de estudar a teoria e os conceitos, exercitar e por os ensinamentos em prática.

A Jornada do Escritor (Christopher Vogler)

“Como escritor, você pode construir uma atmosfera de expectativa ou fornecer informação sobre um personagem importante, por meio do recurso de fazer com que outros personagens falem sobre ele, antes que apareça. Mas o mais importante e mais memorável será a própria primeira ação desse personagem, quando ele próprio surgir na história — sua entrada em cena. ”

Obra de referência para quem quer contar histórias, A Jornada de Escritor traz uma análise detalhada e esclarecedora da figura do Herói, também presente no clássico O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell. O livro é uma ótima ferramenta de análise e organização do trabalho como um todo e é resultado de anos de estudo sobre mitos e arquétipos, somados à experiência de Christopher Vloger na indústria cinematográfica norte-americana. A obra é importante para os escritores e roteiristas de maneira geral. Isso porque, além de auxiliar a escrever boas histórias com personagens consistentes, a obra é fundamental para quem quer também entender e desenvolver bem seus personagens.

O Herói de Mil Faces (Joseph Campbell)

“É próprio da mitologia, assim como do conto de fadas, revelar os perigos e técnicas específicos do sombrio caminho interior que leva da tragédia à comédia. Por conseguinte, os incidentes são fantásticos e “irreais”: representam triunfos de natureza psicológica e não de natureza física. Mesmo quando a lenda se refere a uma personagem histórica real, as realidades da vitória são representadas, não em figurações da vida real, mas em figurações oníricas. Pois a questão não está no fato de tal e tal coisa ter sido realizada na terra. A questão é que, antes de ela poder ser feita na terra, uma outra coisa, mais importante e essencial, teve de passar pelo labirinto que todos conhecemos e visitar nossos sonhos.”

Campbell é, ainda hoje, uma das maiores autoridades em mitologia do Século 20 e neste livro no apresenta diversas etapas da vida de grandes personagens da História (reais ou não). Foi o autor quem criou o termo “Jornada do Herói”. Na obra, Campbell apresenta as etapas comuns na trajetória desses heróis, encontrada em inúmeras mitologias e culturas ao redor do mundo. O relacionamento entre seus símbolos intemporais e os símbolos detectados nos sonhos pela moderna psicologia profunda é o ponto de partida da interpretação oferecida por Campbell.

O Poder do Mito (Joseph Campbell, com Bill Moyers)

“Nunca encontrei alguém que soubesse contar melhor uma história. Escutando-o falar de sociedades primitivas, fui transportado às largas planuras sob a imensa cúpula do céu aberto, ou à espessa floresta, sob o pálio das árvores, e comecei a entender como as vozes dos deuses falavam através do vento e do trovão, e como o espírito de Deus flutuava em todo riacho da montanha, e toda a terra florescia como um lugar sagrado – o reino da imaginação mítica.” Bill Moyers, na introdução do livro.

Outro clássico que não falta na biblioteca de grandes mestres do cinema, como George Lucas, O Poder do Mito é uma espécie de grande entrevista que o jornalista Bill Moyers realizou com o autor Joseph Campbell, organizado por Betty Sue Flowers. Sempre estruturado com pergunta e resposta, o livro oferece uma leitura fluida e agradável, além de mesclar muito bem sabedoria e humor. Em sua essência, a obra afirma que os mitos passados nos ajudam a compreender o presente e a nós mesmos, o que, consequentemente, é importante para criação e pesquisa de personagens, dependendo da busca de cada autor.

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