“Oportunidade à vista”

 

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São Paulo/SP
Categoria: Não-ficção
Projeto:
Salve-se quem puder
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“Salve-se quem puder” é um reality show de confinamento e competição dentro de um cruzeiro de luxo, em que é preciso desenvolver uma série de competências físicas e sociais para não naufragar no fim.

Enquanto cursava a faculdade de jornalismo, Flavio Queiroz descobriu sua realização profissional nos bastidores dos meios de comunicação. O roteirista paulistano passou por diversas emissoras, algumas produtoras, em muitas funções diferentes.

Essa experiência acumulada o ajudou a mergulhar de vez nos roteiros, logo após um workshop de dramaturgia. Foi colaborador na novela “Dance Dance Dance”, além de escrever os programas “É o Amor” e “Tá na Mão 2”, todos na Bandeirantes; “Elas”, para o Discovery Home & Health; “O Grande Perdedor” e “Topa ou Não Topa”, no SBT; “Tamanho Família”, na TV Rá Tim Bum; entre outros. Além disso, há cinco anos, é editor-chefe do reality show “A Fazenda”, na Record.

Por sua vasta experiência com realities shows, acabou apaixonando-se pelo formato. Então decidiu escrever “Salve-se Quem Puder” para o NETLABTV. A série tem como ambiente um navio de cruzeiro. Confinados nesse ambiente repleto de luxo e paisagens paradisíacas, os participantes terão que agradar os passageiros, sobreviver às provas e também à convivência em grupo.

NETLABTV – Como surgiu seu interesse pela área de roteiro?

Flavio Queiroz: Sempre gostei de contar histórias. Quando era criança, tinha um grupo de fantoches que me ajudava. Fiz primeiro uma faculdade de Jornalismo, na esperança de encontrar ferramentas que também me ajudassem. Sou ainda um fanático por estruturas. Tenho um imenso prazer em analisar uma história para detectar de onde vem o seu sucesso e onde estão as suas falhas – para então imaginar as possibilidades de torná-la única e surpreendente. Não acredito em fórmulas. Mas acredito em referências, em repertório, em novas combinações. Acredito numa arte de combinar todos esses elementos, através de um roteiro, para se contar uma boa história.

NETLABTVConte sobre sua experiência em audiovisual.

Flavio Queiroz: Ainda na faculdade de Jornalismo, as matérias ligadas ao rádio e à televisão logo atraíram o meu interesse. Descobri os meios de comunicação – e os bastidores – onde eu me sentiria confortável em transitar. As primeiras portas que se abriram estavam mais ligadas às áreas de pauta e produção de programas de entretenimento. Passei por praticamente todas emissoras, algumas produtoras, em muitas funções diferentes; mas sem nenhuma chance em roteiro. Só depois de ter participado do workshop de Dramaturgia na Rede Globo, tive chance de mergulhar de vez no mundo dos roteiros.

Logo depois, fui chamado (de novo em quase todas emissoras e em várias produtoras) para escrever todo tipo de programa de entretenimento. E percebi que a minha experiência pregressa em outras áreas era muito útil na hora de conceber e dimensionar os meus textos. Tive chance de passar pela dramaturgia, pela entrevista, pelo game, pelo reality show, pelos eventos transmitidos ao vivo, entre outros. Nos últimos cinco anos, fui editor-chefe de um grande reality show de confinamento, aperfeiçoando novas ferramentas para contar as mesmas histórias de outras maneiras.

NETLABTVQual é sua formação (formal e/ou informal) como roteirista?

Flavio Queiroz: Além da formação em Jornalismo, cursei também Rádio e TV e acabo de completar uma pós-graduação em Comunicação. Além do Workshop de Dramaturgia na Globo, fiz diversos cursos introdutórios de roteiros para ficção, um curso recente de biografias e algumas disciplinas ligadas a roteiro na Universidade da Califórnia (UCLA). Na experiência do dia-a-dia, em todos os lugares que trabalhei e nos vários projetos que eu escrevi, sempre existiram novos desafios que também me ensinaram – e muito.

NETLABTVPara você qual a importância de desenvolvimento de séries no Brasil?

Flavio Queiroz: Nós somos criativos. Temos um gingado particular que encanta o público internacional. Somos uma mistura de culturas, plurais. Isso sem falar da nossa tradição de contar histórias envolventes em tantas novelas. Nos falta aplicar isso em outros formatos. O cinema tem conseguido se desenvolver mais efetivamente. Alguns canais estão investindo em minisséries e documentários. Mas ainda nos falta os seriados – um formato tão apreciado pelo público mundial que até então teve poucas chances para ver a nossa cara. E há muito que mostrar por aqui. Na ficção ou na não ficção, o Brasil tem tudo para buscar também essa audiência e deixar a sua marca.

NETLABTVNa sua opinião, quais são os desafios de criar conteúdo para o mercado de TV?

Flavio Queiroz: Acredito que quem sabe contar histórias tem à sua disposição ferramentas para desenvolver boas tramas para qualquer meio e em qualquer formato. O primeiro desafio, em qualquer mercado, ainda é conquistar uma boa oportunidade para mostrar seu talento. O próximo desafio é entender que mercado é esse e em que bases ele se apoia. A televisão já existe e já funciona a partir de certos paradigmas, que antes de serem questionados devem ser entendidos. E isso nos leva ao próximo desafio, que é fazer alguma diferença. A linha que separa aquilo que precisa ser repetido daquilo que precisa ser renovado é tênue. O último desafio, na minha opinião, é se manter nesse mercado, valorizando-se como um profissional que não é resultado da sorte, mas sim como uma fonte criadora de novas ideias.

NETLABTV –  Quais são as maiores dificuldades que o profissional do setor audiovisual encontra hoje no mercado televisivo?

Flavio Queiroz: Como em boa parte das empresas de qualquer segmento, é preciso trabalhar mais em condições que são cada vez menos ideais.

NETLABTVQue oportunidades você espera que o Concurso NETLABTV traga para sua carreira?

Flavio Queiroz: Sem dúvida, espero ver a minha ideia, o meu projeto, transformado em realidade. Acredito que a reputação do concurso é um ótimo cartão de visitas para ser ouvido. Gostaria de negociá-lo com um grande canal ou com alguma empresa detentora de formatos, pois acredito no potencial internacional do meu programa. E espero com isso provar que o Brasil também é capaz de estar nesse mercado como criador não só como produtor/consumidor. Nessa vitrine, espero ainda poder colaborar com outros projetos dentro de alguma empresa que trabalhe conteúdos de entretenimento.

NETLABTV –  O que te motivou a inscrever seu projeto no Concurso NETLABTV?

Flavio Queiroz: Quando decidi me inscrever, honestamente, mais do que ser selecionado, eu queria ser visto. Imaginei que mesmo que o meu projeto não fosse escolhido, as minhas ideias teriam ficado acessíveis a diversos profissionais importantes desse mercado que até então eu não tinha acesso. Imaginei que um deles podia se interessar e, de repente, querer me conhecer. Em um segundo momento, depois de escrever o projeto inteiro e vê-lo pronto, redondo, surgiu uma vontade de fazê-lo acontecer de fato. Quero também dar uma guinada na minha vida profissional e ter a oportunidade de mergulhar no mercado de criação.

NETLABTVPor que não ficção?

Flavio Queiroz: A ficção, em certa medida, tudo permite – porque se apoia num primeiro momento apenas nas nossas ideias. A não ficção, por sua vez, acrescenta o elemento do imprevisível por estar (toda ou em parte) apoiada na realidade e nas reações espontâneas das pessoas. Acredito no potencial antropológico de experimentos que colocam gente comum em situações extraordinárias – e na identificação catártica do público com essas histórias e emoções. “E se fosse eu naquela situação?”. Sempre me pergunto isso ao assistir uma trama que tem a sua dose de realidade. Confio nas possibilidades transformadoras desse formato, em alguma escala, mesmo enquanto entretenimento.

NETLABTVComo surgiu o tema da sua série?

Flavio Queiroz: A minha experiência intensiva com realities shows fez com que eu me apaixonasse por esse formato. É difícil achar um segmento que ainda não tenha sido transformado em tema de uma série desse gênero. Depois de realizar alguns cruzeiros marítimos e ter tido acesso a informações da complexa dinâmica necessária para seu funcionamento, encontrei um cenário cheio de dificuldades para desafiar as pessoas. E mais: um dos poucos cenários que ainda não havia sido explorado propriamente por este tipo de projeto. Para completar, a beleza de sua ambientação também enche os olhos de qualquer um – altamente televisivo e patrocinável.

NETLABTVFale um pouco sobre sua série e o público potencial.

Flavio Queiroz: Em “Salve-se Quem Puder” um grupo de pessoas comuns embarca na viagem de suas vidas. Num primeiro momento, eles aproveitam o cruzeiro, conhecendo todas as áreas do navio – e se conhecendo. Mas logo eles se transformam em tripulantes e devem, a cada tarefa, aprender a função de uma área determinada do navio. Aquele que tiver o pior desempenho deixa a competição, até que sobre apenas um. Eles passarão por diferentes treinamentos e ainda terão que agradar um grupo de passageiros, que influenciam diretamente na sua permanência no jogo. Nesse confinamento, eles terão que sobreviver não só às provas como também à convivência em grupo.

O público vai embarcar nessa viagem de tirar o fôlego, sem enjoar, e sem sair da poltrona. É um leque variado de emoções que vai cativar desde os jovens com a sua adrenalina até os adultos com as dinâmicas das relações pessoais. Num mundo onde quase tudo já virou um reality show, já era hora dessa aventura.

NETLABTVQual importância de participar do Laboratório e consultoria?

Flavio Queiroz: Até agora essa ideia saiu da minha cabeça e foi para o papel. Mesmo com a validação de uma vaga entre os finalistas. Mas sei que o projeto ainda não está pronto. Espero que o Laboratório e a consultoria me deem essa dimensão e ainda me coloquem em contato com profissionais atuantes desse segmento que possam me passar referências de como as engrenagens funcionam nesse momento. Também acredito nesse espaço para dizer mais coisas, desenvolver mais raciocínios e apresentar meu potencial criativo a estes mesmo profissionais. 

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