Versátil, também já  desenvolveu projetos para produtoras como Bossa Nova, Pródigo, O2, Mixer e Magnetoscópio, entre outras. Desde 2012, é colaboradora da Conspiração Filmes, onde atua como gerente de conteúdo de TV.

Para Haná, há muitas maneiras de se formar roteirista e a prática é a mais rica delas. “É fundamental estudar e desenvolver algum método, mas isso não se ensina apenas em escolas.”

Atualmente, na Conspiração, Haná desenvolve, entre outros projetos, uma série de ficção infantil e encerra uma série de ficção adulta, além de dois projetos de não ficção em desenvolvimento e dois em fase de edição. “Ainda não posso divulgar os projetos, mas é um grande desafio tratar de formatos e assuntos tão diferentes em um mesmo dia”, comenta a roteirista, que, entre seus trabalhos, coordenou o desenvolvimento do reality “Corre e Costura”, produzido pela Conspiração Filmes, com estreia em 2016 na Fox Life e criação de Alexandre Herchcovitch e Cristiano Metri.

Haná é jurada da categoria de Não-ficção do NETLABTV 2017. Sobre roteiros, a narrativa no formato de não-ficção e até mesmo sobre a necessidade de haver ou não uma Sala de Roteiristas em projetos documentais, ela conversou com o blog Inspire-se. Confira:

O NETLABTV tem recebido a cada ano mais projetos de não ficção em suas inscrições. O que você tem a dizer sobre os mercados comparativos de ficção e não ficção no Brasil? 

A TV tem muito espaço para não-ficção. Comparativamente a produção de não-ficção é mais barata que a de ficção. Muitos canais têm na maior parte da grade (ou exclusivamente) projetos de não ficcionais. Além disso, há potencial para se desenvolver formatos que se tornam fortes, com possibilidade de novas temporadas e adaptações para outros países. A muito a ser explorado em termos de formatos no Brasil.

Você atribui o aumento do número de projetos de não-ficção a uma resposta à demanda do mercado?

Acho que, como um todo, estão aumentando as oportunidades. Há mais espaço realmente e também mais canais que procuram produtos de baixo orçamento com conteúdo relevante, exigência que os documentários podem conseguir atender. Quem assiste à TV (canais a cabo) talvez perceba que há uma diversidade maior de canais com conteúdo brasileiro. E isso pode motivar a tentar propor algo.

Como você desenvolver um argumento de um projeto de série documental?

Com muita pesquisa, buscando expor o diferencial da abordagem ao tema, dando um sentido audiovisual para o projeto (porque o audiovisual é válido para esse tema, em vez de um livro, por exemplo?), e expondo em palavras como imagino que a série será para quem vai assistir. Gosto de explicar também o processo, os personagens, o acesso, a motivação.

A pesquisa é primordial para um bom roteiro. No caso do documentário, ela é mais importante que na ficção?

Acho que em geral sim, mas há documentários em que se documenta um processo, ou que partem de um artifício, e, mais do que comprovar ou revelar uma pesquisa, procuram transformar em audiovisual uma vivência, um lugar, um estado de espírito, um conflito, um momento. Nesse caso, a pesquisa é um pouco como na ficção, uma base inicial para se construir um universo.

Em um projeto de série de não ficção, a Sala de Roteiristas funciona de maneira muito diferente que em um projeto de ficção? Quais são as principais diferenças?

Sim, muito diferente. Os desafios são outros. Não vejo necessidade de sala para documentário. Um pesquisador, roteirista e o diretor (eventualmente o produtor executivo também, mas estamos falando mais de criação) são muito eficientes para construir uma série de documentário. A ficção exige Plots e desenvolvimentos que precisam circular, serem criticados, melhorados, e a Sala permite isso, que se desenvolvam melhor as ideias.

Como foi o trabalho de roteirização de “Corre e Costura”?

A não-ficção tem documentário, tem formato, são muitos gêneros e cada gênero você trabalha de um jeito. Eu não faria uma sala de roteiristas para isso. No caso do “Corre e Costura”, o trabalho de roteiro era muito mais propositivo, de situações e de coisas que poderiam ser interessantes, de provocar reações no Alexandre (Herchcovitch), para que a gente tivesse desdobramentos e ações dele e das pessoas com quem ele interagia. Ninguém tinha uma fala. Eles tinham missões. No documentário é importante mais do que ter vários roteiristas discutindo, digerindo e criando e se corrigindo, é ter uma equipe multidisciplinar.

O que seria essa equipe multidisciplinar? Como ela supera o trabalho de uma Sala de Roteiristas, por exemplo?

Para falar de equipe multidisciplinar, é preciso ter em perspectiva que durante a pré-produção e a produção de qualquer documentário, acontecem surpresas e mudanças. E precisamos ir redesenhando constantemente o planejamento. Precisamos encarar as mudanças de forma positiva e buscar o que pode surgir de novo na história. É preciso estar pronto para encarar desde mudanças de casting – pessoas que saem e outras que entram – até ter que mudar o tema de um episódio.

Daí a importância de haver um produtor executivo trabalhando em parceria com a criação.

Sim. Se a produção não está do seu lado, de mão dada com o roteiro e com a pesquisa, você não reconstrói. Se tivermos que reconstruir os roteiros,  voltar à pesquisa, mudar locações, as decisões precisam ser tomadas em conjunto.

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