Enquanto o resultado não vem, os profissionais que examinaram os 785 projetos inscritos nas três categorias (Ficção, Não-Ficção e Social Video) comentam sobre a qualidade e a diversidade dos projetos apresentados, analisam suas adequações aos formatos e ao mercado brasileiro.

Segundo o presidente das comissões julgadoras, Philippe Barcinski, neste terceiro ano de realização, o NETLABTV encontra um grupo de criadores mais aberto a multiplicidade de formatos, temas e gêneros. “Possivelmente pela evolução do mercado brasileiro e pela diversidade e abrangência cada vez maior do universo das séries. Os selecionados compõem um interessante mosaico do que se espera do futuro das séries no Brasil e no mundo”, declarou o roteirista e diretor ao Blog Inspire-se.

Para Barcinski, a seleção criteriosa e a abertura do processo ao voto popular reforçam o compromisso do NETLABTV com a qualidade e a diversidade dos selecionados.

A seguir as impressões dos membros das comissões julgadoras de cada categoria do NETLABTV: A produtora executiva Carla Ponte e a roteirista e documentarista Haná Vaisman na categoria Não Ficção; o diretor de criação e roteirista David França Mendes, o Cocriador e produtor executivo Tiago Mello em Ficção; e o diretor da Lent/AG Michel Lent e o CEO e sócio-fundador da Snack Nelson Botega na categoria Social Video. Confira:

Ficção

Tiago Mello – Cocriador e produtor executivo da Boutique Filmes
Foi um grande prazer ter participado de um processo tão interessante quanto foi saber que os novos criadores estão desenvolvendo séries de gênero, pois até alguns anos atrás havia muito menos variedade. Hoje há muito mais ficção científica, terror.  E é essencial que a TV brasileira trabalhe gêneros.

Percebi também que há muitos inscritos que estão antenados com o que se está sendo produzindo no exterior, nos movimentos que estão ocorrendo. A nova geração vai atingir níveis altos na qualidade dos roteiros, pois é uma geração que quer muito trabalhar, criar, que está muito aberta ao novo, aos multicanais que existem hoje. E isso é bom porque cada um poderá encontrar o seu nicho. Se um roteirista, por exemplo, adora terror, vai encontrar o canal que tem a ver com sua série. O mundo segmentado ajuda muito os roteiristas.

Vale também ressaltar a diversidade de regiões dos projetos inscritos, li roteiros de vários lugares do País, como Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia. É positivo que haja produções além do eixo Rio-São Paulo. Assim como também é importante, até quando se trata de gênero, que haja representatividade, com histórias que tragam personagens que representam a diversidade de raças e culturas do Brasil.

David França Mendes – Diretor de criação e roteirista

Quando chegou na reunião do júri, a gente chegou a um consenso de tentar incentivar ao máximo quem tivesse as duas coisas, uma boa ideia e bom desenvolvimento, pensando no potencial das pessoas. Eu, Tiago (Mello) e Felipe (Barcinski) estávamos bastante afinados. Todos nós do júri acreditamos nesses projetos finalistas; eu vejo uma variedade de apostas criativas muito interessante. Cada projeto aponta em uma direção diferente e, tendo essas ideias como amostra, dá para pensar que se pode produzir muita coisa bacana no Brasil.

Foi difícil escolher os projetos finalistas. Vi muitos projetos com ideias interessantes que estavam ainda fracos no desenvolvimento. Hoje em dia já existe muita acesso à informação sobre a criação de série, sobre roteiro e personagens. Muitas pessoas têm ideias boas, mas acho que deveriam estudar mais e buscar mais técnica. Vi muitos projetos com muito potencial, mas precisa desenvolver melhor.

Não-Ficção 

Haná Vaisman  – Roteirista e documentarista

Os projetos estão mais bem elaborados, mais completos, detalhados, com pesquisas e justificativas bem estruturadas.

Não foi difícil escolher os finalistas porque havia projetos que todos haviam gostado, e outros em que, após alguma ponderação, entramos em acordo. Contemplamos projetos bem variados, alguns mais ousados e com temáticas que ainda não vimos na televisão, outros dentro de gêneros mais estabelecidos, mas que traziam novidade pela origem, formato ou casting.

Gostei muito de ter contato com projetos que saem do eixo Rio-São Paulo. Trazer mais diversidade e representatividade na nossa televisão é um grande desafio, mas acredito que os esforços serão muito recompensadores. É importante termos alternativas à cultura de massa, que já tem seu lugar garantido na programação da TV aberta.

Carla Ponte – Produtora executiva
Participo do NETLABTV desde a primeira edição e, de lá para cá, é evidente o amadurecimento dos projetos de Não-Ficção, em diferentes formatos. A grande maioria dos projetos inscritos e pré-selecionados foi de realities, doc realities, life-style, tendência que segue muito forte entre os canais por proporcionar integração de marcas. Ou seja, o pessoal está antenado com o Mercado e focado nesta demanda. Mas as séries documentais não foram esquecidas, correspondendo a cerca de 1/3 dos projetos pré-selecionados. Foi muito gratificante ver pesquisas aprofundadas e proponentes mostrando intimidade com o tema e acesso aos personagens. Parece algo óbvio, mas em edições anteriores estes dois elementos ainda eram bem frágeis.

O processo de seleção nunca é fácil e por isso é muito importante ter em mente critérios básicos que sustentem a escolha: criatividade; clareza, adequação. A força da criatividade no conceito em si ou na linguagem; a clareza da proposta da história a ser contada e como tal história será contada; a adequação ao Mercado, possibilitado a visualização de onde a série pode ser exibida. Muitas vezes há uma boa ideia, porém o projeto está imaturo, em outros casos a argumentação está forte, mas a linguagem é ruim ou simplesmente não está claro como se pretende contar aquela história. Às vezes, há propostas que simplesmente não se encaixam no Mercado ou que trazem mais do mesmo. Ou seja, a seleção precisa combinar todos esses elementos. Houve projetos dos quais gostei muito, mas que não traziam este equilíbrio entre os critérios básicos e por isso, ficaram de fora.

Social Video 

Michel Lent – Diretor da Lent/AG
Eu achei as propostas muito boas, de maneira geral, uma das coisas que motivou nossa escolha foi uma adequação de formato para a plataforma, como duração e capacidade de execução. A principal questão negativa é  o formato mesmo, muitas propostas ainda estão sendo pensadas para outras plataformas e por isso pouco adequadas para o meio.

O ácido e o surpreendente são elementos importantes. É uma plataforma com muito estímulo competindo, então fica difícil prender a atenção com narrativas mais trabalhadas ou mais sutis. A escolha dos finalistas refletiu esse pensamento.

Nelson Botega – CEO e sócio-fundador da Snack
O Social Video não pode ser encarado como uma série tradicional ou um longa encurtado. Muito menos um curta-metragem. No Social Video, a gente deve considerar principalmente o modo de distribuição desse tipo de conteúdo. E como plataforma predominante, temos o YouTube. O Social Vídeo tem que criar COMUNIDADE e não audiência, o conteúdo é quase que uma conversa. Mesmo em ficção, a gente vê produções que praticam isso, como o Porta dos Fundos. São vídeos que geram diálogo, são compartilhados e tem lastro para continuidade always on. Meu critério de escolha foi que se respeitasse muito a linguagem, os gêneros nativos do YouTube, e a implementação de produção alinhados com esses conceitos.

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