media-80466-288284

Canal: Discovery | Coprodução: Mixer e Discovery

Durante o programa, o jornalista constantemente tem que encarar situações perigosas e desafiadoras: em Cuba, por exemplo, ele rasteja por vários quilômetros com os devotos de São Lázaro. No festival El Tinku, participa das lutas sangrentas nas montanhas da Bolívia. No Qoyllur Rit’i, no Peru, ele carrega um enorme bloco de gelo nas costas. Mas Verissimo diz que se aventura com gosto: “Sou como um surfista de onda grande. Pego onda quando está sol e quando o tempo está ruim também”.Primeira Temporada: 9 episódios | Grade de 55 minutos | Estreou 17 de julho |

Exibição: terças às 03h05, quartas às 22h30, quintas às 3h05 , sextas às 18h e sábados às 18h55.

Arthur Verissimo se define como um livre pensador. Há 27 anos ele é repórter excepcional da revista Trip e há 30 um estudioso de religião. Cobriu diversos cultos e festivais, sempre de maneira irreverente e enérgica, para revistas e programas de televisão. Só para a Índia, ele já foi 22 vezes. Não por acaso, foi convidado pelo Discovery e pela produtora Mixer para ser o apresentador da série que desvenda festivais e cultos religiosos na América Latina, que recebeu o nome de “Na Fé com Arthur Veríssimo.

Formato

O programa foi idealizado dentro da Mixer. Primeiramente seria um programa de festivais religiosos. E o Discovery tinha já interesse em desenvolver algum projeto com Arthur. Então, casaram-se as duas ideias e nasceu a série. “Nós achamos importante investir em talentos locais e o programa revela muitos personagens interessantes. Além disso, o formato de aventura humana também é muito bem-vindo no canal”, conta Michella Giorelli, vice presidente de produção e desenvolvimento da Discovery Networks na América Latina.

Sergio Zeigler, diretor de cinco dos nove episódios da série, foi chamado na sequência da gravação de Águias da Cidade para “encarar a fera do Arthur Verissimo”. “A gente pesquisou muito para fazer a série e todos os vídeos que a gente viu eram um modelo antigo de documentário. Acho que o Arthur traz para o espectador a ideia de quem mergulha na experiência e isso possibilita mostrar a religião através de quem está vivendo aquilo de verdade. É uma visão singular da religião. O diferencial é ser uma documentação de uma experiência e não um documentário religioso”, conta o diretor.

Arthur Verissimo participou das decisões de pauta e processos de pesquisa junto com a equipe. “Ele tinha que estar confortável para as situações que a gente criava e, mesmo quando ficava inquieto e não queria fazer determinada ação, a gente propunha alternativas. Toda a reação dele é nosso foco”, explica Zeigler.

Antes das gravações, o diretor e Samantha Abel, produtora da série, iam ao local para fazer um mapeamento prévio das ações. Mas ainda assim, os imprevistos eram muitos: “Não existe uma festa religiosa oficial – a lógica de cada grupo é própria deles. Uma vez, a gente teve que esperar mais de quatro horas até os índios decidirem fazer o boneco do Judas. As coisas não estavam no nosso controle. Mas, como a proposta é acompanhar o Arthur, o que deu errado deu certo também.”

Como a série é um doc reality, não há um roteiro definido. A gravação ocorre de acordo com um desenho baseado no cronograma da própria festa. Todos os dias, o diretor e a produtora faziam propostas de situações que o Arthur exploraria no evento, uma espécie de roteiro de ações.

Conflitos

O diretor explica que, além do fato religioso em si e do próprio Arthur, a série também documenta o conflito entre os dois. Ou seja, além do imprevisto das situações há também o imprevisto da relação do Arthur com aquilo tudo. Na Bolívia, por exemplo, o festival é muito violento e para quem não está inserido naquela cultura específica, é difícil compreender. Arthur foi rejeitando, ao longo do programa, a ideia de entrar naquela luta. “Então, a gente sintetizou o que aconteceu com a frase: ‘Essa briga não é minha”, explica Sergio.

No Haiti também aconteceu um conflito: Arthur tinha que sacrificar uma vaca em um dos rituais, mas como passou muitos anos estudando e convivendo com o hinduísmo (religião da Índia onde a vaca é considerada sagrada) e tem respeito pela religião, acabou desistindo. “É preciso ser muito humilde e estar aberto para trazer à tona a proposta do programa, mas em algumas situações, no rufar dos tambores, a gente acaba encontrando os próprios limites. Além disso, sou vegetariano. Não deu mesmo”, confessa o jornalista.

Para o diretor, a maior dificuldade foi lidar com conflitos reais o tempo todo. “Nem sempre os astros estão conjugando a favor. Tem que ter muita rapidez e jogo de cintura para tomar decisões. Muitas vezes a cena não está pronta como você imaginou. Se você perde a malhação de Judas numa festa da malhação de Judas, você perdeu o programa.”

Desafios

Cada grupo religioso aceitava o registro da esquipe de filmagem de maneira distinto. Por exemplo, na Bolívia, eles foram aceitos para acompanhar apenas um dos grupos. Arthur Veríssimo chegou a fazer o treinamento com eles mas, na última briga, se perdeu e foi parar no meio de um grupo rival. “Ele teve que tirar a roupa (que mostrava a que grupo ele pertencia) correndo porque a policia local avisou que o novo grupo encheria ele de porrada”, relata o diretor.

Em contrapartida, no Peru a equipe foi aceita em todos os grupos. “Acho que eles se divertiram com aquele branco dançando com eles e tentando entender o ritual”, acrescenta Sérgio.

No Haiti, que Veríssimo já havia visitado diversas vezes, o que mais impressionou foi como apesar dos índices graves de pobreza, a religiosidade no país é forte, consistente e intensa. O diretor da série concorda: “acho que as gravações lá foram tão intensas que mexeram com a religiosidade da equipe inteira”.

Receba NossasNovidades