Roberto Martha, diretor sênior de produção da Viacom, e André Rossi, diretor de programação da Discovery, participaram de um painel na ABTA 2013, evento de TV por assinatura que acontece em São Paulo entre os dias 6 e 8 de agosto, e avaliaram positivamente o primeiro ano de vigência da regulamentação da Lei 12.485, que impôs novas regras para o setor de Pay TV, inclusive o cumprimento de cotas de conteúdo nacional na grade dos canais internacionais.

“Foi um ano difícil, mas cheio de resultados frutíferos que estão no ar”, resumiu Rossi. Ele contou que a programadora tem 400 horas de programação nacional e 14 contratos assinados com produtoras brasileiras. “Para o ano que vem, o número deve ser maior”, afirma. A Discovery tem cumprido cotas com aquisições, produções e, sobretudo, coproduções.

Martha também destacou que a Viacom tem se relacionado com mais produtoras do que costumava lidar antes da necessidade das cotas e diz que a lei impactou a operação da programadora, que precisou se organizar para o recebimento de projetos. “A capacidade de realização foi um desafio que a gente passou esse ano. A gente só tem mais se a gente tiver capacitação e novos talentos que possam ser testados e comecem a dar resultados”, observou. “Foi bastante gratificante. A gente tem cumprido cotas com conteúdos em que a gente acredita. Não foi fácil”.

Do lado da produção, Roberto D’Ávila, sócio da Moonshot Picutres, afirmou que não há dúvida de que o brasileiro gosta de se ver retratado na tela. “Também não há dúvida de que isso não se inaugurou com a nova lei”, disse, citando o bom desempenho da série “9 mm”, feita pela sua produtora para a Fox e também a primeira temporada da série “Sessão de Terapia”, que foi uma aposta do GNT independente do cumprimento das cotas e que ganhou nova temporada, que estreia em outubro no canal.

Programadoras independentes brasileiras

O cenário para as programadoras independentes brasileiras não melhorou tanto com a lei, segundo Tereza Trautman, diretora da CinebrasilTV. Para a executiva, a Ancine não levou em conta o equilíbrio financeiro do mercado que ela regula, tanto do ponto de vista das produtoras quanto das programadoras. “Foi feito de forma predatória. Fez com que os canais nacionais recebessem pouco pelo licenciamento e mal podem pagar pelo conteúdo”, afirma, alegando que o faturamento anual médio de uma programadora independente de canal superbrasileiro equivale ao orçamento de um longa mediano.

Cícero Aragon, diretor da BoxBrazil, conta que a lei teve efeitos positivos sobre a programação, fazendo nascer o projeto de canais nacionais que ele tinha há bastante tempo. “Existe espaço para canais brasileiros além da cota, canais que se justifiquem pela sua própria qualidade. A operação hoje é deficitária, mas acreditamos na qualidade dos canais, acreditamos que podemos ser alavancadores da produção industrial brasileira” diz.

Fonte: Tela Viva

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