Arte que transforma

 

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Recife/PE
Categoria: Documentário
Projeto:
RITOS
Lideranças religiosas de diferentes doutrinas participam de um estranho jogo sagrado: conviver por uma semana e auxiliar na preparação de uma cerimônia de uma religião que não é a sua.

 

Antes de qualquer coisa, Rachel Ellis é preocupada com questões sociais. Natural da Inglaterra, ela se mudou para o Brasil em 2004 para dirigir uma ONG Britânica em Recife (PE) que atua nas regiões Norte e Nordeste. Ela também trabalhou para o Programa das Nações Unidas de Desenvolvimento na Tailândia e é Mestre em Ciências Sociais, Planejamento e Participação pela London School of Economics.

Sua transição para o audiovisual está ligada à crença de que a arte também pode promover a transformação social. E sua ampla experiência com gerenciamento e gestão de projetos facilitou a sua transição. Hoje, Rachel atua como produtora, produtora executiva, facilitadora e educadora.

Incomodada com a questão da intolerância religiosa no Brasil, ela teve a ideia de criar a série RITOS, onde lideranças de diferentes doutrinas participam de um estranho jogo sagrado: conviver por uma semana, auxiliando na preparação das cerimônias, de uma religião que não é a sua.

NETLABTV – Como surgiu seu interesse pela área de roteiro?

Rachel Ellis – Desde que comecei trabalhar com audiovisual, há 5 anos. Sempre me envolvi e me envolvo muito na fase de elaboração de propostas e ideias para projetos audiovisuais. Acho que trabalhar com roteiros é uma extensão disso, levando a ideia para outro momento de desenvolvimento. Porém, meu maior interesse é em ‘roteiro guias’ para documentários, projetos de fronteira, não roteirizados ou semi-roteirizados.

NETLABTV – Conte sobre sua experiência em audiovisual.

Rachel Ellis – Produzi três filmes de Gabriel Mascaro: Doméstica, A Onda Traz, O Vento Leva e Ventos de Agosto – este último, em pós-produção, que roteirizei com o Gabriel. Ano passado elaborei meu primeiro projeto de TV, que é uma série de interprogramas em animação stop motion, em fase de pré-produção. Sempre me envolvo desde a concepção de um projeto até a sua distribuição, participando tanto criativa quanto tecnicamente (enquanto produtora). Em TV, vejo muitas oportunidades para produtores serem os idealizadores de conteúdos, além de apenas técnicos. Isso é um papel que me interessa muito.

NETLABTV – Qual é sua formação (formal e/ou informal) como roteirista?

Rachel Ellis – Não tenho nenhuma formação como roteirista. Sou autodidata, li alguns roteiros de outros e acompanhei debates sobre roteiro. Nunca li um livro ou fiz um curso sobre como escrever um roteiro.

NETLABTV – Para você qual a importância de desenvolvimento de séries no Brasil?

Rachel Ellis – Acredito que é importante que existam séries sendo desenvolvidas no Brasil que reflitam questões e assuntos pertinentes aos brasileiros, para que o público não consuma apenas séries de fora. Nesse sentido, é fundamental que haja estímulos e incentivos para o desenvolvimento de séries de todas as regiões do país, não apenas dos pólos audiovisuais.

NETLABTV – Na sua opinião, quais são os desafios de criar conteúdo para o mercado de TV? 

Rachel Ellis – Acho que o maior desafio é ampliar os formatos e fórmulas de programas e séries, que no momento são muito restritos e estão saturando o mercado de TV no mundo todo. Existem fórmulas que funcionam para prender o interesse do público, mas o mercado precisa fazer mais que isso. A televisão tem um papel imenso na vida das pessoas e isso vai continuar sendo uma realidade. Acredito ser necessário estimular cada vez mais o espectador, ao invés de dar informações de forma didática ou usar truques emotivos para prender o público, pois isso acaba anestesiando as pessoas. Uma série não precisa ser apenas entretenimento ou apenas informação.  O maior desafio do mercado na criação de conteúdo hoje em dia é ir além disso, é arriscar algo novo.


NETLABTV –  
Quais são as maiores dificuldades que o profissional do setor audiovisual encontra hoje no mercado televisivo?

Rachel Ellis – Posso responder apenas de acordo com minha experiência. Aqui em Pernambuco temos um fundo que apoia projetos de TV, mas os valores para séries são pequenos e muitas vezes precisam ser complementados por um canal exibidor, por exemplo. Em teoria, isso estimula e incentiva articulação com os canais, mas sinto uma dificuldade de acesso aos programadores ou plataformas de apresentação de propostas para análise. Ao mesmo tempo, estou apenas começando trabalhar com TV e aprendendo como tudo funciona, então talvez seja mais fácil do que imagino. Espero!

NETLABTV – Que oportunidades você espera que o Concurso NETLABTV traga para sua carreira?

Rachel Ellis – Espero que abra caminhos para diálogo e articulação com canais de TV e outros profissionais da área.

NETLABTV –  O que te motivou a inscrever seu projeto no Concurso NETLABTV?

Rachel Ellis – RITOS é meu primeiro projeto para TV e o concurso parecia uma ótima oportunidade para conhecer melhor o mercado e ter a oportunidade (caso ganhasse) de discutir o projeto com outras pessoas da área, desde roteiristas até programadores.

NETLABTV –  Por que não ficção?

Rachel Ellis – A natureza do projeto é não ficcional, porém haverá alguns elementos ficcionais, como acontece em quase toda ‘não ficção’. Acho interessante que alguns canais de TV falem sobre séries roteirizadas versus séries não-roteirizados em vez de ficção ou não ficção. Acho que este projeto se encaixa em algum lugar no meio de tudo isso.

NETLABTV –  Como surgiu o tema da sua série?

Rachel Ellis – Surgiu de um incômodo muito grande sobre a intolerância religiosa no Brasil, que cresce de forma assustadora, associado a uma crença de que o audiovisual pode provocar mudanças no pensamento nas pessoas.

NETLABTV –  Fale um pouco sobre sua série e o público potencial.

Rachel Ellis – RITOS é uma série onde religiosos de diferentes doutrinas participam de um jogo que consiste em, por uma semana, acompanhar os rituais diários e auxiliar na preparação de uma cerimônia religiosa de uma religião que não é a sua, morando na casa de uma família de outra religião em outra região do Brasil. Suponho que é uma série que não interessará apenas a quem é naturalmente envolvido com assuntos religiosos – pelo contrário! Acredito que muitos ateus, por exemplo, vão atentar para RITOS por questões políticas e sociais, além da curiosidade despertada pela própria proposta de funcionamento da série.

NETLABTV – Qual importância de participar do Laboratório e consultoria?

 

Rachel Ellis – Por estar começando no mercado de TV apenas agora, participar do Laboratório é uma oportunidade incrível para troca com os outros vencedores e também consultores. Acredito que aprenderei muito e que o encontro vai fortalecer e ajudar a amadurecer bastante o projeto RITOS.

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