“Uma boa ideia não basta” – LIZ DEVINE, roteirista e co-produtora da série CSI

Em masterclass para NETLABTV no MIS SP, LIZ DEVINE, roteirista e co-produtora da série CSI – Crime Scene Investigation do Canal Sony, revelou bastidores e técnicas,  além dos processos de desenvolvimento e produção da série que já completou 14 anos de sucesso.

 

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Liz Devine não se tornou roteirista pelos caminhos convencionais. Formada em biologia, se especializou em ciência forense incentivada por um tio. Então começou sua carreira como perita criminal em Los Angeles, onde trabalhou por cerca de 15 anos. Hoje, ela é roteirista e coprodutora executiva da série CSI – Crime Scene Investigation, que já está no ar há 14 anos e lhe rendeu indicações no Writer’s Guild e Emmy Awards.

Liz veio ao Brasil a convite do NETLABTV, em parceria com o canal Sony, para  masterclass realizada no dia 11/11 no auditório lotado do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP). A transmissão online do evento acumulou mais de 3 mil views de internautas de todo o Brasil interessados no tema.

Sua aula magna no Brasil, começa com o relato de sua surpreendente trajetória profissional – de perita em criminologia a roteirista e coprodutora da série. “Eu era especialista em reconstituição de cena, então já verificava todas as evidências, encaixava as peças e contava a história, só que era de um jeito jurídico”.

Quando foi convidada para ser consultora técnica da série, Liz ajudou os atores a preparar seus personagens, os diretores de arte com os objetos de cena e com todos os detalhes técnicos envolvidos em cada episódio. “Os roteiristas não sabiam como era a atuação de um perito na cena do crime e eu sempre contava muitas histórias sobre meu trabalho, até que me pediram para escrever a história ao invés de contá-la e deu certo.”

Anthony Zuiker, o criador de CSI, trabalhava em um hotel, mas queria ser roteirista. “Anthony gostava muito de acompanhar séries de crimes como Cops e 24 horas. Mas ele achava que toda a investigação era feita pela polícia e, quando descobriu que existia a perícia, ficou encantado com aquilo e intrigado com o fato de que mínimos detalhes entregues nas mãos da pessoa certa, poderiam resolver um crime”, contou Liz.

Zuiker decidiu que poderia criar um bom programa de TV. “Mas uma boa ideia não basta”, explicou Liz. “Ele precisava conhecer o contexto, o universo daquilo que ele queria tratar e, por isso, visitou o laboratório de criminalística para pesquisar e conhecer mais sobre o tema. Dessa forma, conseguiu desenvolver profundamente os personagens e espelhar a vida real”, relatou a roteirista.

De acordo com Liz Devine, durante o pitch, Zuiker soube vender o programa muito bem. Ele descreveu entusiasmado como uma pequena evidência, um fio de cabelo, pode resolver um mistério e revelar um criminoso. Os executivos se contagiaram pela ideia, decidindo produzir a série.

Ela relatou que a primeira temporada teve 23 episódios e tornou-se um enorme sucesso logo na exibição do primeiro. “Mas uma série nova é como um novo aluno, tem que se adaptar ao ambiente e entrar na linha – se vocês se lembrarem de Friends, na primeira temporada havia um macaco, mas ele não funcionou e sumiu nas temporadas seguintes. Depois do sucesso com CSI, tínhamos que manter o nível de suspense e encontrar o ritmo queríamos, além de um visual único para o programa”.

A roteirista acredita que o sucesso da série se deve ao momento certo de revelar os detalhes, de entregar pistas ao espectador. “Outra coisa que se deve fazer com a série é não deixar o episódio ser previsível. Nós queremos que o público caminhe com a gente e ele não deve descobrir nada antes dos personagens”, ensinou. Liz contou também que quando acertaram a fórmula do programa, mais ou menos no 8º episódio, a série virou a número 1 da América.

Na opinião dela, CSI foi bem sucedida porque permitiu que o público participasse dos processos de investigação, além disso, ensinou as técnicas dos peritos e a mágica que a cena do crime pode revelar. Durante os 14 anos da série, a produção continuou trabalhando com peritos. “Dá para sentir o grau de precisão que não se teria sem os consultores técnicos”.